terça-feira, 10 de maio de 2011

Só pra não esquecer

Descubra onde está a ironia na foto abaixo:


Depois de passar o Ensino Médio com o apelido carinhoso Rubinha, fui a última a me levantar e jogar o chapéu pra cima na minha formatura. É mole?


Em breve farei um post sobre esse dia, mas não aqui e sim no meu blog novo! 

quinta-feira, 5 de maio de 2011

E de tanto tentar achar sentido pra vida...


E de tanto tentar achar sentido pra vida, o gato criou bigode

e a saia da baiana não mais sacode;

E de tanto tentar achar sentido pra vida, a Rapunzel ficou careca

e a princesa continou perereca;

E de tanto tentar achar sentido pra vida, o dia virou noite e ficou escura

e a liberdade passou a se chamar loucura;

E de tanto tentar achar sentido pra vida, o seguro morreu de velho

e as pedras de Pessoa formaram um castelo;

E de tanto tentar achar sentido pra vida, minha avó ficou caduca

e o desprendado vovô um mestre cuca;

E de tanto tentar achar sentido pra vida, a cabeça ganhou chapéu

pra depois virar música de Carlos Gardel;

E de tanto tentar achar sentido pra vida, Casilda deu a luz a um tal de Humberto,

um loiro azedo muito esperto;

E de tanto tentar achar sentido pra vida, a carruagem "aboborou",

a cinderela se cansou e desistiu do seu amor;

E de tanto tentar achar sentido pra vida, quem acreditou não alcançou,

quem correu não avançou e quem sentou não se cansou;

E de tanto tentar achar sentido pra vida, o velho não pensou e viveu,

o jovem pensou e não viveu, e quem não decidiu, adeus, morreu;

E de tanto tentar achar sentido pra vida, as letras se juntaram, as palavras se alinharam

e as frases se formaram;

E de tanto tentar achar sentido pra vida, a vida criou seu próprio final

dando à morte seu sentido, e ao nascer seu ideal.


Texto escrito dia 21-03-2011

sexta-feira, 15 de abril de 2011

GRANDEZA

Quando criança, pedia tanto para minha mãe medir minha altura!

Era combinado que mediríamos a cada mês, mas como o mundo da criança é bastante atemporal, todo dia era um novo mês e todo mês minha boneca aniversariava...

Era um pouco complicado isso, porque medir todo dia a altura não me deixava feliz, já que eu não havia crescido significantemente enquanto dormia... Medir minha altura de mês em mês, como minha mãe sugeria, era o ideal pra fazer com que eu me sentisse grande, grande, grande!

Hoje eu me pergunto: Qual criança não é grande??????

Se elas pudessem saber que a maior grandeza é a de espírito, elas jamais se importariam em ser as maiores da sala para ficarem no final da fila na hora do hino nacional.

Mas talvez a grandeza da criança esteja mesmo embutida nesse segredo de não saber de si e já saber o que quer ser: grande!

É ironia da vida nos ensinar o assunto da prova depois que esta já passou.

Se a criança soubesse o quanto crescer dói, ela nunca pediria sua mãe pra medir sua altura todo dia!

terça-feira, 12 de abril de 2011

Eurotrip III: A neve em Berlim, parte I.



Neeeeeeeeeve!

Depois de um dia de atraso, conseguimos viajar para Berlim. Foi o nosso primeiro voo pela Easyjet. Antes de embarcar tivemos um probleminha com a bagagem: uma das mochilas estava acima do tamanho estabelecido pela companhia aérea. Nada que a gente não pudesse resolver, bastou abrir a mochila no meio do aeroporto, tirar algumas peças deroupa e colocar na mochila que seria despachada (essa não tem limite de tamanho). Mais uma dica de viagem by Orkut! Ehehe.

O voo foi tranquilo, percebemos que os comissários de bordo eram bem engraçados, eles faziam várias piadas e todos sorriam. Todos, exceto por nós, claro, pois entender piadas em alemão ainda está além do nosso alcance. Chegando lá foi mais uma emoção. O comissário disse algo durante o pouso, desse vez em inglês (\o/), que pudemos entender: “é neve de verdade!”.

Antes de descer do avião, recomeçamos o processo de vestir os casacos, as luvas e as toucas, que criava expectativa para o encontro com o frio. Mais uma vez o avião parou no meio da pista, e logo ao descer nos deparamos com a tão esperada neve. Diz Davi que não estava tão frio, mas eu quase congelei. Esse foi um dos momentos mais tensos de toda a viagem: chegamos no meio da madrugada, o aeroporto fica fora de Berlim, o metrô estava fechado devido ao horário, e a mulher do Centro de Informações era grossa e falava inglês com um forte sotaque alemão. Resultado: entendemos quase nada que ela disse, apesar de termos feito mais de uma tentativa, e pegamos o ônibus noturno, aparentemente a nossa única opção. Ele nos levaria até o centro, lá teríamos de pegar outro ônibus até a rua do albergue.

Durante esse primeiro percurso, olhávamos o tempo todo pela janela, a neve encobria as ruas e os carros. O branco dominava tudo. Então chegamos no nosso ponto, ás duas da manhã. Antes de descer, tentei perguntar ao motorista qual ônibus deveríamos pegar para chegar ao albergue, e apesar dele não falar inglês, me respondeu apontado pro outro lado da rua, onde tinha um ônibus prestes a sair. Corremos e conseguímos entrar, quando perguntei ao novo motorista se estávamos no lugar certo (adoro pedir informações). Mas ele também não falava inglês. Então saquei o papel da mochila com o nome do albergue e tentei perguntar de novo, praticamente através de mímica, e, para nossa surpresa, ele disse que estávamos no carro errado, parou e nos mandou descer e voltar ao ponto para pegar outro ônibus (ônibus este que era uma incognita, a mímica não foi suficiente para ele nos explicar qual seria o correto). O problema é que o carro estava em movimento durante a nossa ‘conversação’, e já estávamos a meio quilômetro do ponto quando ele nos mandou descer. Bobagem, o motorista nos colocou pra fora mesmo assim. E lá ficamos, de mochila nas costas, 2h da manhã, no meio de uma rua coberta de neve, e praticamente incomunicáveis, pois alemão não é mesmo o nosso forte.

Quase furtamos essas bicicletas e fomos pedalando pro albergue...hehe

A gente deveria voltar pro ponto, mas não fazíamos idéia de qual ônibus pegar, e desde que saímos do aeroporto, não havíamos encontrado um único ser que falasse inglês. Ficamos parados, estagnados, tentando processar a gravidade da situação. Então eu, a salvadora da pátria (hehe), vi um táxi se aproximar, atravessei a rua correndo e parei o motorista (sim, foi dramático assim mesmo). Para variar, ele não falava inglês, mas eu já tinha a manha da mímica e logo estávamos acolhidos no interior quentinho do táxi. Não há quem me convença de que não fomos abençoados nesse momento. O taxista foi super ‘brother’ quando entendeu que éramos do Brasil, e repetia constantemente ‘Pelé’ e ‘Ronaldo’, além de tentar falar sobre cada lugar que passávamos. Tá, era em alemão e a gente não entendia, mas o que importa é a boa vontade. Chegamos, então, em segurança ao albergue pela módica quantia de 10 euros, em princípio eram 15, mas o taxista, por conta própria, fez o desconto ;).

A chegada ao albergue merece mais uma longa descrição, mas já me alonguei por demais só no percurso! Não vou terminar de escrever esses textos nunca, quero contar cada vírgula da história. Enfim, resumindo, o ponto alto da nossa chegada foi o seguinte: ao chegarmos no corredor dos quartos, tinha um típico norte-americano de 1,80, louro, vomitando bem em fente da porta do nosso quarto! Além disso, ao entrarmos no quarto, encontramos uma zona, mala e roupas espalhados por todo o lugar, não pudemos ligar a luz para não acordar as pessoas. Não pudemos pegar nossas coisas para tomar banho. Imagine o impacto disso em pessoas que já estavam totalmente tensas. Tá, falarei somente por mim, fiquei desesperada nesse momento, de verdade. Foi o único momento da viagem que pensei: ‘o que estou fazendo aqui?!’. Mas fomos dormir, e com o novo dia, veio um novo ânimo, e veio a noção de que a viagem a Berlim iria finalmente começar! Mas isso já é assunto para um novo post...

Próximo post: A neve em Berlim, parte II.


P.S.: Algumas fotinhas do St. Christopher´s, nosso albergue em Berlim!


No bar do albegue! O lugar era muito lindo, parecia o Groove...


O fatídico corredor de carpete onde o americano vomitou.


Nosso quarto! A minha cama sempre era a mais arrumada.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Eurotrip II: a chegada em Madri!

No aeroporto de Madri, esperando o voo para Berlim.


Depois de chegarmos com umas 3 horas de antecedência no aeroporto de Salvador (exceto por Davi, que chegou pelo menos 4 horas antes), pegamos uma fila imensa para despachar a bagagem (tá, Davi não pegou uma fila tão grande assim), e depois outra fila enorme para fazer o check-in (mas dessa fila ele não se livrou), para finalmente conseguirmos embarcar.


A nossa primeira viagem internacional, a minha terceira viagem de avião. Nem preciso dizer que ainda ficava um pouco nervosa com essa história de decolagem e pouso, e enfrentar 10h de vôo não é tão fácil. Mas tudo correu bem e até consegui dormir (somente porque tive um colo para deitar e cafunês, porque as poltronas são tão desconfortáveis quanto as dos vôos domésticos).


A chegada foi emocionante. Observar aquele aeroporto imenso de cima, acreditem que só para estacionar o avião demorou uma eternidade. Desembarcamos no meio da pista, sabem? Quando eles colocam aquela escada... Nunca vou me esquecer da sensação do vento gelado tocando meu corpo.


Passada a excitação inicial, veio a preocupação: chegamos, e agora? Dos três, apenas Camila já tinha andado de metrô na vida, e só uma vez. Dos três, nenhum falava espanhol. Começamos a andar e a procurar pelo Centro de Informações para turistas (dica que pegamos no orkut), e o encontramos fechado. Daí só restava sair perguntando pras pessoas onde ficava a estação de metrô. Demorou um pouco para encontramos, andamos pra caramba, o aeroporto é realmente grande. Mas achamos o metrô, e também um ponto de informações onde encontramos o instrumento mais importante da viagem: o mapa das linhas de metrô. Pronto, não precisávamos de mais nada. Tendo o mapa do metrô, você chega a qualquer lugar na Europa, parece mágica. Tudo é bem sinalizado, eles anunciam quando chega em cada estação, tudo é muito fácil, muito tranquilo. Nós ficamos apaixonados pelo metrô, de verdade.


Com o mapa em mãos, e sabendo qual a estação próxima do albergue, nossos problemas tinham sido resolvidos. Quando descemos do metrô e subimos a escada da estação, ficamos mais uma vez surpresos com tudo. Ao sair da escada subterrânea, nós três ficamos olhando aqueles prédios, as árvores, tudo tão diferente e europeu! Hehehe. Foi incrível como ficamos bestas no momento: ESTAMOS NA EUROPA!!!


Um espanhol muito legal, ao nos ver de mochila e quebrando a cabeça olhando um mapa, nos ofereceu ajuda e nos ensinou o caminho. Nós nos perdemos na primeira tentativa, mas acabamos achando o albergue. Tudo era novidade pra gente. Tentar conversar em espanhol/inglês/português com os funcionários, chegar no quarto (que era muito massa, por sinal), tudo era novo. Nesse albergue ficamos só nós três no quarto. Uma cama de casal e outra de solteiro, mas não comentarei os detalhes sórdidos (hahaha).


A nossa primeira saída merece ser contada. Assim que chegamos, tomamos um banho, vestimos nossas roupinhas de frio (não tão apropriadas, vindas do Brasil), e fomos desbravar Madri, sem saber nada de nada! Saímos andando sem direção, e a primeira coisa que notamos foi que estava saindo fumaça da nossa boca. Esse momento foi hilário! Todo mundo tentando ver a fumaça! E o melhor, eu não tava conseguindo fazer sair, porque tava soprando, e não é assim! Hahaha. Foi muito engraçado. A gente ficava besta com tudo. E para nossa grande surpresa, andando totalmente sem direção, chegamos a Gran Via, a maior avenida de Madri, que a gente nem sabia da existência. Muito linda... imensa e cheia de decoração de natal. Tinham árvores em cada esquina. Era domingo a noite, um monte de gente andando para todos os lados. A cena retratava fielmente a maior avenida de uma grande metrópole. Vale ressaltar que de todas as pessoas que vagavam nas ruas, TODOS os espanhóis estavam em filas de lotéricas! Sério, a mega sena de lá devia estar super acumulada, as filas eram realmente imensas... Outro fato memorável dessa noite foi Davi dando 2 euros para um artista de rua! AHAHAHA. Lembrem do que eu disse, cada euro em um mochilão é sagrado, e certamente Davi se arrependeu desse esbanjamento! Hehe.


Turistas bobos que somos, não podíamos deixar de comprar chocolate quente na Starbucks e sair tomando, andando pela avenida. Essa pequena coisa nos deu um prazer tão grande, é muito bom poder se maravilhar assim. Viajar é a melhor coisa do mundo.


Estou me alongando muito! Vou tentar encurtar mais a história. Depois de vagar pela rua, voltamos umas 22h pro albergue e só saímos no outro dia. Nosso vôo para Berlim era às 17h, nosso objetivo era comprar roupas de frio pela manhã, e depois ir para o aeroporto. Colocamos então o despertador pra umas 7h. Quando ele tocou, levantamos e olhamos na janela: escuridão total! Resolvemos dormir mais um pouco e saímos de casa 9h. Tava amanhecendo, quase ninguém na rua, quando vimos as primeiras lojas, que eram bem próximas, estavam todas fechadas e com aviso de que só abririam 11h. Quem ficaria 2 horas naquele frio esperando abrir? Voltamos pro calor do albergue... hehe. No horário certo, saímos de novo, tomamos nosso café da manhã, ocasião em que conhecemos ‘Jamón’, e fomos de loja em loja atrás de casacos. Fizemos as nossas compras, eu dei uma sumidinha rápida que deixou Davi e Camila pirados, depois finalmente fomos para o aeroporto.


Chegando lá, algo um tanto quanto esperado aconteceu: nosso vôo para Berlim foi cancelado (vocês devem se lembrar que por lá tava tudo coberto de neve, tudo parado). Mas também aconteceu algo inesperado: a empresa aérea nos mandou para um hotel 4 estrelas, com todas as despesas pagas, para esperar o nosso vôo que sairia no dia seguinte! O hotel era muito lindo! E ficamos em quartos separados... hehe. Uma das cenas memoráveis foi quando Camila chegou em nosso quarto dizendo que quase me ligou (havia telefone nos quartos) para me chamar para tirar uma foto dela dentro da banheira! Hahaha. É verdade! Ficamos o dia todo no hotel, passamos a tarde fazendo palavras cruzados e vendo programas musicais da Espanha (foi assim que Camila virou fã de Kesha). Não vou parar para falar sobre as refeições que eles serviram, foi simplesmente o melhor café-da-manhã de todos! Mas prefiro não me lembrar de uma certa laranja vermelha, se virem alguma algum dia, não comam! É horrível!


Para acabar logo com esse post imenso, resta dizer que passamos a noite nesse hotel muito massa, jantamos, tomamos café e almoçamos (Davi, bobinho, nem quis almoçar, mas Camila e eu não perdemos nada! haha). No outro dia fomos para o aeroporto e finalmente pegamos o nosso esperado vôo para Berlim, mas agora já é assunto para o próximo post!


Próximo post: A neve em Berlim!


Eurotrip I: planejamento!

Começa agora a série Eurotrip. Vou contar como foi a minha viagem, mas como há tanto para falar resolvi dividir e cada post será sobre uma cidade. Mas antes disso, começarei falando sobre a fase de planejamento.

4 países, 6 cidades, 24 dias, 1.000 euros, uma amiga, um namorado e uma mochila. Junte a tudo isso o pior inverno que a Europa já teve em 100 anos. Resultado: a minha “Eurotrip”.

Hoje, quando paro pra lembrar, fica até meio difícil acreditar que eu fui mesmo. Quem bem me conhece sabe que não estou acostumada a viver assim grandes aventuras, a grandes viagens. Mas tudo tem estado bem diferente desde que o meu céu ganhou uma nova estrela para iluminá-lo... enfim, vamos por partes! Farei um post para cada cidade, assim fica menos provável que eu me perca e acabe me esquecendo de algo importante. Seguirei também uma ordem cronológica, começarei, então, pela fase de planejamento! Espero que as dicas sirvam para viagens futuras de vocês, queridos 3 leitores dos quais não me esqueci, apesar de ter estado tanto tempo longe!


PLANEJAMENTO:

Começamos a realmente planejar a viagem, ou seja, a retirá-la do mundo das idéias para o mundo real, uns 4 meses antes de viajar. Salvo engano, foi quando compramos as nossas passagens áreas de ida e volta e começamos a acompanhar a cotação DIÁRIA do euro. Antes disso, já tínhamos dado entrada ao único documento necessário para nos dar acesso às terras do velho mundo: o passaporte. Sim, os europeus não são chatos como os americanos e não exigem visto se a sua estadia for inferior a três meses! \o/

Esse foi o primeiro grande passo. A partir disso, a nossa ficha caiu: passaremos 24 dias na Europa e não planejamos NADA ainda. E agora? E quando digo nada, quero dizer nada mesmo! A gente só sabia que chegaríamos dia 19/12 em Madri e que voltaríamos para o Brasil dia 11/01, da mesma cidade. O que faríamos nesse meio-tempo era uma incógnita. Quais países conhecer? Quais cidades visitar? E as piores decisões: onde passar o Natal? E o Reveillon? Confesso que foi difícil, porque atreladas a essas perguntas estavam todas as condições das viagens internas, como preços das passagens aéreas e dos albergues, que oscilavam bastante de acordo com a data. O nosso desafio era fazer o melhor roteiro baseado no melhor custo-benefício.

Todos colaboram à sua maneira: Camila ficava até de madrugada comigo pesquisando mil e uma coisas sobre cidades, passagens e albergues, enquanto Davi dizia que concordaria com tudo que a gente decidisse, se comprometendo a não reclamar em momento algum. Todos acabaram fazendo a sua parte... ;)

Bem, pra quem planeja fazer alguma viagem parecida, fica a dica:

Comunidades do Orkut: você encontra resposta pra TUDO no fórum das comunidades, basta pesquisar. E quando não encontrar, basta criar um tópico novo. Comigo deu muito certo. Fiz vários amigos (Camila com certeza ainda se lembra de Sandra).

Hostelword.com: fizemos todas as nossas reservas para os albergues nesse site, deu tudo super certo. Viajantes comprometidos que somos, mandamos e-mails para todos os albergues que reservamos antes de viajar, confirmando a data que chegaríamos em cada um deles. Todos eles responderam, confirmando tudo.

Easyjet.com: passagens aéreas baratas, empresa organizada, não tivemos problemas. Basta se ater ao tamanho da bagagem! Detalhe: levem um lanchinho pra comer no avião, porque eles cobram pelos lanches oferecidos, e quand se faz 'mochilão' cada euro é sagrado! Hehe.

Enfim, somente com essas ferramentas conseguimos planejar tudo, e viajamos para Europa sem precisar comprar aqueles pacotes da CVC para uma conhecer uma ‘Europa Mágica em 9 dias e 8 noites’.

Próximo post: "A CHEGADA: MADRI".

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Dizem que nada é de graça, ou melhor, dizem que tudo tem seu preço...

Orgulho.

Não venho falar de uma das minhas obras preferidas (Orgulho e Preconceito), nem de orgulho ferido, nem de orgulho no sentido de admiração. Venho falar do orgulho como uma gigantesca barreira, como algo que pode ser absolutamente intransponível. Algo que pode ser muito duro e muito rígido. Pode ser também um veneno com gosto de fel, que às vezes precisamos provar para saber nosso limiar de frustração, nossa resiliência, ou até mesmo a dose letal. Algumas pessoas dizem que o orgulho é um escudo que nos protege de muitas coisas. Mas eu fico pensando comigo que, se ele protege, ele também evita e daí a gente pode estar evitando tanto o BOM quanto o RUIM que existe dentro dessas muitas coisas. Nunca se sabe. Então, eu não sei. Eu só sei que esse tal escudo dói muito porque é revestido de espinhos que nos faz sangrar, no intuito de calejar nosso peito para que o coração fique empedrado e seco. Dizem também que sentir dor faz a gente crescer. Mas convenhamos que existem vários tipos de dor, e não é porque eu não uso escudo, que eu não sinto dor (Então, que proteção é essa que ele dá, né?) A dor é inevitável.

Outra coisa que vive rondando minha cabeça ultimamente é uma frase que eu ouvi certa vez de uma voz bonita. Ela dizia que continuar a trajetória significa retroceder, mas considerando que o contrário de “continuar” é “parar”, eu me pergunto: - Será mesmo que parada eu avançaria? Será? Bom, eu sei que os dados só rolam se eu os jogar, mas o medo que eu tenho de que eles estejam viciados na casa da dor é maior do que a outra dor que já existe aqui. Por isso é tão confuso pra mim. Seria como trocar uma cédula gastada por uma mais novinha, o que no fim das contas não ia fazer com que aquilo fosse algo diferente de uma cédula ou tivesse outro valor. O mais agonizante é não conseguir enxergar os gramas que as balanças mostram quando eu tento pesar. Por isso eu não sei se o orgulho vale a pena, eu não sei se sem ele vale a pena também. A dor que ele causa é muito grande, mas a dor da ausência dele, o que as vezes nos aproxima da humilhação, também é.

domingo, 28 de novembro de 2010

De volta.

Alguns relatos:

Se há imaginação, de tudo extrai-se algum proveito...da prisão constrói-se a liberdade.

Se há conteúdo, o interior nunca ficará vazio, a alma deve se preencher por si só, apesar de ser triste a solidão involuntária.

Se há uma vida, é agora...entre o acordar, o suspirar e o dormir...é o dia-a-dia, repleto, às vezes, de enfado.

Se há uma pessoa, é a que está presente no sorrir, no chorar e no reclamar... e apesar de conhecer todos os seus incontáveis defeitos, escolhe estar ao seu lado.

Se há um deus, ele é a força que exige o amor entre as pessoas, é a fé de que tudo pode melhorar se você for mais forte e continuar a luta... ele é a decepção quando não se tem maiores horizontes, quando se morre de fome, quando se mata outrem... ele é a salvação, para os bem aventurados... ele é a frustração para quem enxerga além das fronteiras.

Se há um tempo, ele é incontável e extremamente individual.

Se há esperança, ela é o mais belo sonho tido na infância, do qual poucos ainda conseguem se lembrar.

P.S.: escrevi esse texto há uns dois anos, estou tirando a poeira e postando aqui... hehe

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Felicidade é...

... pesar 12kg a mais que sua irmã mais velha que te carregou no colo...

... e comer uma torta de chocolate com morango no meio da tarde sem um pingo de culpa.

domingo, 31 de outubro de 2010

As voltas do mundo.

Eu tive um estalo e uma intuição
quis que o mundo parasse, o tempo voltasse
só pra ter o meu desejo em minha mão.
Nessa vida nada é fácil
o que é bom não vem sem condição
e, para podar minha vontade, recebi um não.
Dias passaram, estações mudaram
hora após hora, inverno e verão.
Escondi meu desejo no baú do passado
que volta e meia eu reabria, sem razão.
Relembrar doía, mesmo assim eu insistia
nunca houve bom senso na solidão.
Por vezes achei ter me desfeito do baú
mas à noite eu despertava
enquanto sonhava, buscava o desejo
o trazia de volta para o meu travesseiro
e o abraçava, prometendo guardá-lo pra sempre
porque do que se quer demais, não se desfaz.
Errei pela teimosia?
Errei por alimentar tal fantasia?
Tive medo, me enganei por tanto tempo.
Tive medo pela irracionalidade do sentimento.
Semanas correram, os meses voaram
vivências diversas ocuparam meu ser.
Boa parte do meu vazio foi preenchido,
mas, desejo, eu nunca esqueci de você.
Eis que o mundo gira mesmo
como diz o velho autor.
Deu voltas e voltas, não sei quanto levou
em uma dessas idas e vindas
com o desejo ele me presenteou.
Aqui essa história termina e começa
no mesmo lugar, início e fim.
O velho mundo muito ainda há de girar
E do fututo, só o amanhã pode nos contar.

sábado, 23 de outubro de 2010

O QUE NÃO MATA, ENGORDA!

Desde já eu peço desculpas pelo tamanho do texto, mas ao ler a postagem do Cambota em seu blog (http://www.cambota.com.br/) sobre o cancelamento do DVD do Pedra Letícia, eu não pensava em outra coisa senão nos trechos do livro de um cara (todo mundo sabe que é HG), representante de uma das maiores bandas de rock do Brasil... Mas não me entendam mal, também não quero comparar nada a favor de ninguém, só tem 1 mês que eu sou fã de Pedra Letícia (pouco tempo, quase nada), mas queria deixar minha condolência.
Tá, tá, tá bom, eu também sei que cada banda tem sua própria história, tem suas razões que devem ser destruídas (ou não), e tem também as curvas fechadas da highway...Por isso, não estou dizendo que com PL vai acontecer o mesmo que aconteceu com outras bandas que fizeram sucesso, mas eu realmente espero que daqui alguns anos eles riam muito disso tudo! Lá vai:

“(…) esse primeiro show parece ter ido bem. Pintaram convites para apresentações em outros bares. A banda que montamos para durar uma única noite estava virando uma banda para durar algumas semanas. Já como um trio, tocávamos onde dava pra tocar. Onde não dava, também tocávamos.

O repertório ia mudando rapidamente. As colagens performáticas foram dando lugar a um material mais pessoal, saído do velho caderno (...)

Nós éramos estranhos porque tínhamos e mantínhamos um pé em cada um desses mundos: rock, MPB e atitude do-it-yourself (...)

Eu era completamente despreparado para tudo o que estava acontecendo. Não sabia como me relacionar com gravadora, imprensa (...) Só depois me dei conta de que rolava um subtexto nas relações (...) É impossível ser, ao mesmo tempo, um coração e um cardiologista.

Num mundo ideal, talvez tudo fique bem pra sempre. Mas num mundo ideal, talvez não se precise de música.

O disco que gravamos em seguida fez uma história bacana (...) Saber que nossa música estava chegando a lugares que não imaginávamos existir era estranho. Boa sensação estranha.

Nossa gravadora, à época, era fraca no ambiente pop rock (...) Fazíamos sucesso e os caras não entendiam como ou porquê (...) Os números que gerávamos eram confortáveis e a nossa maneira de ser deixava claro que não queríamos, nem poderíamos, fazer outra coisa. Impossível nos transformar em dançarinos ou rostinhos bonitos. Isso nos protegeu.

Claro que a divulgação era sempre mais leviana e grosseira do que eu gostaria que fosse. Eu me consolava pensando que, se Bach fizesse parte do cast, tratariam-no do mesma forma. Cabia ao trabalho sobreviver, ou não, às intempéries.

Não estávamos muito interessados em fórmulas (...) Pode ser irrelevante e certamente é ingênuo, mas algumas atitudes reforçavam a mistura de teimosia e irresponsabilidade que fazia com que nossas impressões digitais sobrevivessem aos apertos de mão. É natural que, ao conhecer um artista, a indústria, os críticos e os fãs se perguntem com quem ele se parece. Mas é necessário que o artista se pergunte o que é que só ele tem.

Na reunião em que mostramos o disco (...) o clima foi de decepção total. Lembro das palavras do chefão: “Esse disco é um Boeing com tanque cheio. Pode ir longe se não explodir na decolagem”. Não creio que ele acreditasse na primeira hipótese. Saí da reunião achando que havíamos gravado nosso último disco (...)

(...) caiu sobre nós o clichê de odiados-pela-crítica-amados-pelo-público. Nada disso era muito verdadeiro. Mas não havia diálogo acima dos clichês.

E sempre que a gravadora impunha, o tiro saía pela culatra (...)

A imprensa papagaia o de sempre. Nós fazemos o show de sempre. A onda era escarrar? Sinto muito, mas lá vai a minha música (...)

Sempre desconfiei dos atalhos (...) Esses atalhos seriam bons se chegar mais rápido fosse o objetivo. Há um objetivo? Porque não uma bailarina de coturno? Alguém vibrando em outras frequências, por que não? Sair desses escaninhos faz a beleza de um duo como White Stripes (...) (Não sermos literais as vezes faz nossa beleza)

Mas vida afora, noite a dentro, anjos sempre me guardaram e guiaram, me fazendo seguir viagem, me dizendo que eu era diferente do que parecia ser (...) Os DE FÉ sempre estavam do nosso lado.

Geralmente escolhiam a canção mais parecida com o que estava fazendo sucesso. Nem sempre, quase nunca, tínhamos muito a oferecer nesse sentido. Uma vez que eu só gravava o que quisesse e da maneira que quisesse, por mim, podiam mandar qualquer música para as rádios (Toca Creuzaaaaaa!)

As músicas tem uma sabedoria própria e dão um jeito de achar os ouvidos a que estão destinadas.

A grande sabedoria: saber ser pequeno. As ondas nem sempre são naturais, aquelas dependentes das marés e fases da lua. As vezes é um transatlântico que passa pela nossa jangada fazendo onda.

(...) comecei a respirar fundo, esperando um terreno mais propício pra jogar a semente. Tínhamos um novo disco pronto, mas não gravaríamos agora.

Parece que Nietzsche disse que “o que não aniquila, fortalece”. Na dúvida, fico com o que dizia a minha vó: “O que não mata, engorda”. Canelas lanhadas, mãos cheias de calos, olhos cansados e ouvidos impacientes são medalhas que trago no peito.”
Pra terminar: "Mas quando eu virar um astro, com minha guitarra e uma prancha do lado, eu quero ouvir você gritar num bar: TOCA PEDRA LETÍCIA!"

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Mandinga

Diz a lenda que num dia 29, na Itália, um andarilho bateu na porta da casa de uma família pobre, pedindo um prato de comida. A família era grande e tinha pouca comida, mas eles não se importaram em dividir o seu jantar, que era gnocchi (ou nhoque). O andarilho era São Genaro. Repartiram então a refeição, cabendo sete pedacinhos a cada um. Após saborear o gnocchi, São Genaro agradeceu e partiu. Quando foram recolher os pratos, embaixo de cada um havia notas de dinheiro. Por isso, tradicionalmente, todo dia 29 é dia do gnocchi da fartura, acompanhado do ritual de colocar dinheiro embaixo do prato. Tem também que comer primeiro os sete pedacinhos em pé, para depois comer à vontade. Você acredita? Não? Nem eu.

Mas no último dia 29 eu adaptei uma receita e ficou - modéstia lá longe - uma delícia. Não sei as quantidades exatas dos ingredientes que usei, até porque massa depende de muitas coisas, e só dá pra saber se tá bom pelo toque. Mas dá pra fazer.

Ingredientes:
-
Batatas
- Farinha de Trigo
- Queijo Parmesão ralado
- Leite
- Sal

Cozinhe as batatas descascadas (cerca de 40 min.) e amasse-as ainda quentes. Reserve até esfriarem um pouco. Acrescente sal, um colher de sobremesa de leite e o queijo. Vá acrescentando farinha e amassando, até a massa começar a d
esgrudar da vasilha. Sempre amasse com as mãos enfarinhadas. Deve ficar bem leve, não igual à de pão ou pizza.



Coloque água para ferver numa panela funda, com uma colher de sal. Enquanto isso, unte uma superfície lisa com farinha de trigo e faça rolinhos com a massa. Corte em pedaços de uns 2 cm.



Quando a água estiver fervendo, jogue os pedacinhos aos poucos, com bastante cuidado (muito mesmo, porque a água espirra que é uma beleza).



Quando começar a flutuar, o pedacinho está pronto. Retire com uma escumadeira.




Coloque numa travessa, e quando todos estiverem prontos despeje um molho em cima. O que fiz foi com o que tinha na geladeira na hora: molho bolonhesa pronto, extrato de tomate, champignon e requeijão cremoso. Pra completar, pimenta calabresa e salsinha.



Nhami-nhami!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Fechando Setembro...

Mais um mês se passou... Aventuras, novidades, sufoco, decepções, superações, provas, aflições, notas, espera da chuva, enrolação, sabotagem, irritação, irritabilidade, dificuldades para dormir, sono na hora errada, muito red bull, muito medo, muitas expectativas, torcida, estudo, sonhos, estranheza, sonhos estranhos, sensações mais ainda, sensação de estar sendo puxada para trás, sensação de regressão, despersonificação, desdobramento, raiva, indiferença, rancor, vontades, planos, planilhas, contas, falta de grana, estreitando laços, afrouxando outros, fazendo nós tortos, conhecendo mais algumas pessoas, não fazendo questão de saber como vão outras, alguém chora mas você não se sensibiliza, você só sente pena de você, você se acha estranho, você lê livros macabros, você redescobre a psicanálise, você fala muito de solidão, você lê muito sobre solidão, você é muito solidão, você amplia os horizontes, mas você se sente estagnada, as vezes acha que é burra, toma o metrô sozinha, e mesmo sem ter fé, reza pra chover, joga praga em quem provocou as queimadas, enche baldes de água pela casa, dorme com a toalha molhada no rosto, tem dor de garganta, faz campanha para o deputado fictício, sente vergonha, não quer falar com as pessoas, falta paciência, tem idéias incidentes de homicídio, nenhuma de suicídio, acorda tremendo, atende o telefone temendo, tem muita ansiedade, não aprende no inglês, detesta a nova professora, antipatiza com todo o mundo, parece a tia com alterações de humor, quer chorar muito, recebe ligações da sua mãe, tem notícias de sua avó, se pergunta pra quê diabos faz psicologia, queria ter nascido rica, queria nunca ter nascido, queria ter um namorado chamado Ângelo, de 21 anos, nascido em 4 de Julho de 1989, ele ia ouví-la, ele ia topar assistir um filme com ela, ele ia tirar a bunda gorda do sofá para conversar com ela, porque ela se sente fraca, ela vai fazer um hemograma, a doutora escreve seu nome errado na requisição, ela adia o exame, ela tem infecção urinária, ela tem tensão muscular, ela abandona a dieta, as frutas apodrecem na geladeira, ela bebe refrigerante para vingar de si mesma, de sua fraqueza, de sua ambivalência, de sua alternância, ela deposita muita transferência no professor, ela se repugna com quem lhe bajula, ela corre atrás de quem é inalcansável, ela conta os dias, ela risca o calendário, ela espera que bons dias venham no mês de outubro, ela pede que são pedro pare de balançar o pinto nos arredores, e pede que desenterre a cabeça da miséria do veado que tá enterrada nessa terra excomungada que só faz a pele arder e os miolos ferverem, ela tem dó dos animais mortos na estrada, ela tosse muito com a fumaça, ela não suporta mais dormir ouvindo tiros, nem que seja do video game, ela teve bons dias longe daqui nesse mesmo mes, ela voou de avião pela primeira vez, ela sentiu a pior do de ouvido de toda a sua vida, ela acha que nunca vai se recuperar dessa dor, mais todo mês tem dor, mais ou menos, mas tem, a única coisa que ela pede além da chuva é que venham menos delas (das dores) no mês que vem... (nesse mês de Outubro)

terça-feira, 28 de setembro de 2010

RECEITA DA MALDADE HUMANA (Legião Urbana)





Pegue duas medidas de estupidez
Junte trinta e quatro partes de mentira
Coloque tudo numa forma
Untada previamente
Com promessas não cumpridas
Adicione a seguir o ódio e a inveja
Dez colheres cheias de burrice
Mexa tudo e misture bem
E não se esqueça antes de levar ao forno temperar
Com essência de espirito de porco
Duas xícaras de indiferença
e um tablete e meio de preguiça!

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

COISAS DA TERRA (Ferreira Gullar)



Todas as coisas de que falo estão na cidade
entre o céu e a terra.
São todas elas coisas perecíveis
e eternas como o teu riso
a palavra solidária
minha mão aberta
ou este esquecido cheiro de cabelo
que volta
e acende sua flama inesperada
no coração de maio.
Todas as coisas de que falo são de carne
como o verão e o salário.
Mortalmente inseridas no tempo,
estão dispersas como o ar
no mercado, nas oficinas,
nas ruas, nos hotéis de viagem.
São coisas, todas elas,
cotidianas, como bocas
e mãos, sonhos, greves,
denúncias,
acidentes do trabalho e do amor.
Coisas,
de que falam os jornais
às vezes tão rudes
às vezes tão escuras
que mesmo a poesia as ilumina com dificuldade.
Mas é nelas que te vejo pulsando,
mundo novo,
ainda em estado de soluços e esperança.