sábado, 1 de maio de 2010

ACREDITAR OU NÃO, EIS TODA A QUESTÃO!


Na verdade o que vale mesmo nesse mundo, nessa vida, é o que, em que e em quem você acredita!
Não que eu vá concordar com Walt Disney ou com o emblema da Sony que dizem que tudo o que sonhamos torna realidade, pois as falas deles remetem à realização concreta de sonhos e certamente Walt Disney disse isso após a consolidação de seu império artístico, ou seja, quando ele já era rico...
Eu quero dizer sobre crenças mesmo! Quero falar de fé e de filosofias humanistas versus positivistas...
Após quatro anos em Psicologia, sendo submetida à cortes que fizeram de meus preceitos peças de quebras cabeças que ora se encaixam, ora não, cheguei à algumas conclusões quanto à questão de crença, afinal, é encima disso que trabalhamos...
As vezes, erroneamente, chamamos essas crenças de etiologia das demandas, queixas, sintomas e isso provém de um sistema retroalimentado e irrevogável pelo próprio indivíduo. Mas não quero dizer que essa cristalização da crença é a causa para patologias, muito pelo contrário, muitas vezes essa crença é o antídoto para elas.
Em palavras simples, rebuscadas desde os paradigmas gestálticos e sistêmicos, no que principalmente se referem à boa forma e homeostase orgânica, o que vale nessa história toda é que o ser humano acredite e ponto!
Henry Ford já dizia: “Se você acredita que é capaz, você está certo. Se você acredita que não é capaz, você também está certo!” Pois tudo recai nos nossos próprios sistemas de crenças, como: auto-confiança, auto-imagem, auto-conceito, auto-estima e auto-eficácia.
A atribuição de forças “maiores”, “sobrenaturais”, “divinas” e “superiores” no curso de nossas vidas são significantemente reais para quem acredita nelas e isso é impreterivelmente fantástico! Não tem que haver questionamentos sobre dogmas, pois, veja bem: se tenho uma crença espiritual de que Deus me ajuda nas dificuldades do dia e termino, com louvor, uma tarefa difícil do meu dia, naturalmente associarei a efetivação dessa tarefa com a ajuda divina. Mais uma vez: não importa em quê você acredita, o que importa é que você acredite!
Isso tanto é certo que hoje temos um ramo da Psicologia que se chama Psicossomática, que corresponde à doenças manifestadas pelo indivíduo sem causa aparentemente orgânica. É aquela velha história de na véspera de uma prova termos dor de barriga e as pessoas dizerem: “Acalme-se, isso é psicológico...”. Isso é uma cadeia multifatorial sim, mas realmente esse remetimento ao psicológico é apenas uma forma de dizer: “Você só está com dor de barriga porque você acredita precisar dessa dor nesse momento...”. Freud, nosso saudoso Freud (embora eu não seja adepta à sua abordagem, eu sou fanática por ele) já explicava muito bem essa questão de fazer real o que a mente projeta pelas manifestações inconscientes, que nada mais são do que vontades reprimidas. Temos como exemplos os casos das histéricas... Aliás, foi a partir de Freud que a psicossomática surgiu (mas talvez não tenha sido pela teoria dele que ela tenha achado métodos curativos...)
Reforçando: volição e fé andam de mãos dadas naquela velha história de “Ver para Crer” e “Crer para Ver” (prefiro essa segunda).
Eu sei que eu acabo me enrolando toda ao falar de um tema e vou tão longe que as vezes nem sei como voltar, perdendo o sentido de tudo, mas isso é inevitável quando se fala de crenças, eu juro.
Eu – depois de ter sido jogada pela Psicologia num poço bem fundo, sem luz, sem escada, sem mola, sem nada – só quero dizer que acreditem! Em qualquer coisa, em qualquer besteira, em qualquer pessoa, em qualquer causa, em qualquer ideologia, em qualquer sentimento... Essa fé faz as coisas se tornarem reais, ou melhor (usando Freud novamente), precisamos a todo momento fantasiar com sonhos e crenças a dura realidade para nos maternos na estrutura de neuróticos recalcados, pois se essa fantasia se transformar em alucinações e delírios, nos tornamos psicóticos! (Não quero entrar em Saúde Mental; paro por aqui). Mas esclarecendo: essa fé é saudável quando é crítica, clara e não-alienada, pois não devemos pensar que amanhã seremos milionários sem trabalharmos, né?! (Esse foi o maior erro de Rhonda Byrne com O Segredo, embora o embasamento na metafísica tenha sido interessante.) Sem falar falando de egoísmo, essa fé sempre tem que ser refletida em relação à nós mesmos, ou seja, primeiramente temos que identificar o que acreditamos em nós mesmos, ou seja, primeiramente temos que identificar nossas fraquezas e nossas potencialidades, para depois direcionarmos nossa fé para outros campos (pelo menos eu acho que a direção seja essa) Aliás, se não acreditarmos em nós mesmos, é muito difícil acreditarmos em outras coisas... As vezes temos que quebrar algumas crenças para nos libertarmos, mas as vezes precisamos alimentar velhas crenças para seguirmos em frente...
Para as poucas pessoas que já conversaram comigo sobre isso, esse texto é extremamente revelador, pois se as minhas crenças são baseadas numa filosofia positivista, e fundamentadas no ceticismo, como uma fé cega, isso pode estar dizendo, através de uma outra linguagem, a falta de fé no meu próprio eu. Tá vendo? Eu disse que muitas vezes a crença evita patologia; no meu caso (com a audácia do auto-diagnóstico), a falta de crenças me encaminha para a apatia e distimia que são primas da ansiedade e depressão (isso não é extremismo, é um possível prognóstico apenas, rs).

7 comentários:

Maria das Graças disse...

Patrícia Sousa

caraca!! ADORO tdo isso! vc deveria patentiar! heuheuheuhueuhe
fico mais orgulhosa ainda, ao perceber que defato alguma coisa, nao importa o que seja, te faz acreditar em algo!! e FREUD! nossa, Freud esta conseguindo ser mecionado em sua boca! AMEI!!!!
só mais uma citação desse filho da puta miseravel que nos faz pensar tanto enos colocar tantas dúvidas! "Somos Feitos de Carne, mas temos que viver como se fossemos feitos de ferro." (Sigmund Freud)

Renata Oliveira disse...

Gostei mesmo desse texto, duds. Acho ótimo nosso blog ter coisas assim, com conteúdo. Achei tbm esse mais claro que o último, e tenho um conselho: às vezes, coloque algumas pequenas explicações sobre alguns termos de psicologia q os leigos (eu) desconhecem. Seus textos ficarão ainda melhores.

Camila Marques disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Camila Marques disse...

Muito bom! Ter uma quase psicóloga em nosso blog tem o deixado muito rico.

Ângela Batista disse...

hahaha, Oh, Duds, desculpa, é a velha questão do uso-desuso, para mim já é natural escrever assim; mas revi algums coisas, vou tentar por em tópicos:
- paradigmas gestálticos de boa forma: é uma abordagem que preconiza o equilíbrio do organismo (homeostase), o que é agradável aos olhos, a alternância da figura e fundo (necessidade-saciação) - depois eu vou postar algumas fotos gesltálticas (Luma viu isso no curso dela), as fotos psicodélicas parecem mais a Psicanálise...
-paradigmas sistêmicos: abordagem que preconiza a influência mútua de sub-sistemas (não importa o que chamamos de sistema). O todo é maior que a soma das partes e o universo é fruto de conexões incontáveis! (minha futura tatoo...hehe)
Filosofia humanista e positivista os próprios nomes já dizem (renascimento, iluminismo)- gosto muito desse assunto, mas tenho medo de fazer filosofia e endoidar de vez!
Segundo Freud, o ser humano pode ser de uma das 3 estuturas: neurótica ("os normais"), psicótica (os doentes mentais) e os perversos (psicopatas)
Diagnóstico e Prognóstico (identificação de causas e previsão e recomendações)- acho que é só isso, né?

Pathy: Freud está orgulhoso de nós 2. Embora tudo, a teoria que ele desenvolveu é uma religião que vai durar mais um bom tempo, eu acho!

Obrigada, Cam! :) posta logo seu texto! Quero ler sobre vocês!

Falem pra Dona Ellane ser mais assídua, por favor! rs

Anônimo disse...

Interessantíssimo seu texto, Anny.
Eu, por mais pessimista que seja, vivo por acreditar que nunca se está tão mal que não se possa piorar. Logo, nunca estou na pior e sempre acredito na melhora.
Andei acreditando candidamente em uma fantasia. Hum!! quimera, pura utopia.. desilusão. Mas, enfim, fico cético a algumas coias, porém aprendo a crer em outras.. e assim vou vivendo XD

Amei a originalidade do seu post ;)

Beijos!

Ângela Batista disse...

Obrigada, Lu :) É isso mesmo! As energias que depositamos nos campos que se tornaram desilusão têm que ser canalizadas para campos que nos faz feliz (mesmo que depois isso torne desilusão de novo)... Já dizia o poeta Renato Russo: "Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade..." e muitas vezes o sofrimento também!
Tem outra frase que me lembra bastante essa questão do acreditar, não lembro direito dela, mas tem esse sentido:
Não pensar sobre o surgimento mundo e a fé, é como passear numa enorme biblioteca e não vê, tocar e ler nenhum livro...
Beijos